quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Viagem a Luís Antônio

Depois que começou o ano de 2014 meus dias de volta na minha cidade natal, São Paulo, se resumiram em trabalhar, fui peão em transportadora e garçom em restaurante de comida nordestina, sempre que aparecia um bico lá estava eu. Foi o suficiente pra juntar um dinheiro. No dia 11 larguei tudo e peguei estrada viajando pra Ribeirão Preto. É interessante digitar que do terminal Tietê saem ônibus de meia em meia hora rumo a Ribeirão, as empresas que fazem a viagem são Cometa e Rápido Ribeirão Preto. Eu tenho uma preferencia pela cometa... por viagens anteriores bem sucedidas pra Curitiba, mas não deu era a meia hora justa da Rápido, então experimentei ela. A viagem foi tranquila só achei que o ônibus ia muito devagar, vi vários cometas nos ultrapassarem na Anhanguera e me arrependi... pouco mais de 5 horas pra rodar 320 Km...
Cheguei em Ribeirão já no fim da tarde e fui recebido pela minha amiga Bruna e seus pais na rodoviária. Dali tocamos pra 2 shoppings e acompanhei eles em umas compras, saímos já bem tarde de Ribeirão rumo a Luís Antônio a cidade onde eles moram e chegamos próximo da meia noite no destino final. Cheguei cansado pois estava acostumado a rotina do trabalho de levantar bem cedo e dormir cedo. Capotei...
No dia seguinte levantei logo cedo mas era domingo, e todos estavam dormindo e iam dormir até tarde. Aproveitei organizei as coisas estudei e meio dia fui tomar café junto com a Bruna, ali já nos organizamos e fomos fazer trilha, oque considero o ponto alto desse relato. Porém antes vou abordar a cidade base da postagem Luís Antônio é uma cidade minuscula, tem 10mil habitantes. Olha a imagem abaixo.
Ao Fundo cercada por morros suaves, plantações de cana em todas as direções e com pequenos bosques e riachos está Luís Antônio simpática cidadezinha do interior do estado de São Paulo
Então saímos eu e a Bruna da cidade buscando uma cachoeira... O dia estava lindo o sol um tanto ardido... Partimos da cidade rumo aos canaviais de cana e plantações de eucaliptos a caminhada inicial foi um tanto larga e o calor começou a incomodar, mas isso é coisa normal de trilha.
Depois de 1h e meia de caminhada...
Cruzamos 3 riachos de longe eu já via a mata ciliar e presumia um curso de água. Então, rapidamente o tempo começou a fechar e já no final, de dia ensolarado estávamos baixo chuva leve. Cortamos uma plantação com rumo a uma fazenda e invadimos ela. Eu fiquei um pouco desconfiado mas para a Bruna era coisa natural pular porteiras rs. Fizemos nossa primeira parada ai e mais adiante em um riacho que cortava a fazenda. Eu comecei a ficar inseguro, o céu iria desabar sobre nós e não havia nenhum lugar pra se abrigar... Sentamos ao lado do riacho que tinha uma pequena cachoeira.. nos hidratamos e comemos algo.
Local onde paramos dentro da Fazenda, Bruna na img.
Desfrutamos do local... a Bruna queria se embrenhar mais em busca da cachoeira, mas eu não parava de olhar pro céu e ficar mais e mais preocupado, ela tinha dito que a caminhada era de meia hora, gastamos o triplo. Achei melhor voltar. Viemos por uma estradinha e trilha pela parte baixa, dessa vez, no retorno iriamos penetrar nos canaviais e cortar pelas plantações por cima pra tentar chegar mais cedo e não gastar tanto tempo. Estávamos prestes a nos meter em uma baita encrenca...

Minutos antes do temporal começar
Ao pular a porteira saindo da fazenda e seguir de volta a trilha o céu que já estava bem carregado e trovejando começou a derramar chuva pra valer sobre nós. Pegamos a trilha ganhando altitude subindo um morro, íamos margeando um rio com mata ciliar densa, impenetrável... então andamos uns kilometros até que a trilha se dividia entrando em um canavial ou subindo o morro, decidimos subir, enquanto a chuva caia sem dó. Chegando lá em cima a trilha terminava! Che! Brincadeira né? Tivemos que voltar um bom trecho pra bifurcação e seguir margeando o rio pelo canavial... O chão de barro até então durinho e tranquilo se transformou em um lamaçal escorregadio e parecia que chupava nossos pés dificultando a caminhada graças a chuva forte... Seguindo pelo meio das plantações decidimos seguir margeando o rio que já nos fazia dar uma volta tremenda na esperança de encontrar uma ponte. O terreno foi piorando.. piorando.. entramos em uma depressão e ficamos as cegas toda a água que caia fluia para aquela depressão e para o rio portanto o terreno era pior ali para caminhar. Logo sentia meus pés bem pesados. O barro formou uma crosta na sola da chuteira que eu usava e eu devia carregar comigo uns 2 kilos em cada pé. Em terrenos muito inclinados tinha que andar de mãos dadas com a Bruna para não cairmos, patinar a essa altura já era coisa comum...  Em certo momento o lamaçal ficou tão intenso que nos sujamos completamente perdemos muito tempo andando devagar pelas condições a nós impostas, então... ao começarmos a subir a depressão a Bruna que ia adiante perdeu o equilíbrio tentei ajuda-la mas não foi suficiente patinamos e caímos! Completamente sujos de barro e tomando chuva... Foi o pior trecho de trilha que enfrentei na minha vida! Ao subirmos vencemos o rio finalmente! Porém a cidade não estava próxima! O Rio nos fez dar uma grande volta. A chuva deu uma trégua e o sol voltou tímido... e já ia baixando no horizonte, dessa vez a noite iria nos pegar. Lá de cima se podia ver a cidade, porem diante de nós havia outra depressão e um rio maior a ser ultrapassado.
Tentamos vencer o rio invadindo um grande campo cercado na depressão cheio de cavalos. O pasto estava alto e seguimos até bem perto do rio alerta com a presença de alguma possível serpente por ali. Mas chegando próximo ao rio a mata ciliar era intransponível. E o volume de água graças a chuva era grande... Decidimos voltar e a Bruna foi ter um contato mais próximo com os cavalos. Tentou dar grama na boca de um mas ele queria abocanhar seus cabelos rs. Então carinho vai carinho vem ela tenta montar e toma um coice! De leve! Mas ficou guardado na memória esse momento hahaha. Houve um momento em que dois cavalos cavalgaram pra cima de nós descendo o morro, eu fui em direção a cerca mas a Bruna ficou parada... então passei a correr pra cima deles e eles se detiveram. Nunca tive muito contato com cavalos, mas a Bruna que já praticou hipismo se sentiu bem a vontade com eles. Subimos o morro novamente e tentamos avistar uma passagem la de cima... Andamos e vimos que o rio iria fazer nos afastarmos da cidade... Decidimos ir na direção oposta e se embrenhar em uma mata onde aparentemente havia uma fazenda... Nessa hora no meio da garoa com sol surgiu um arco iris lindo, mas minha maior preocupação já era voltar pra casa. Tínhamos uma hora de luz, sabíamos a direção da cidade porém estávamos perdidos, sem rota e com outro rio pra vencer. Não levava comigo sequer uma lanterna, nenhum equipamento de auxílio, não estava equipado como em 'casa'. (na Argentina sempre ando todo equipado). Nem tirei foto daquele Arco Iris... Seguimos e após um bom momento já ao anoitecer entramos em uma grande fazenda. Civilização! Tinha uma ponte na fazenda, enfim passamos pro outro lado do rio. Nesse momento passou um casal em um carro e eu parei eles e perguntei se naquele sentido iria voltar pra Luís Antônio. O motorista me confirmou. Agradecemos, poucos metros ele se deteve e ofereceu carona. Acho que ao nós ver todos sujos.. de barro, trajados meio aventureiros.. ficou com dó rs. Nos cedeu carona.. E foi um bom trechinho de carro viu! Chegamos 20h na cidade. 8 Horas quase sem parar. No fim deu tudo certo!
Já de noite relaxados depois de limpos, fizemos churrasco, assistimos um filme mas ainda as pernas doíam pelo esforço do dia. No dia seguinte não houve nada demais exceto que comemoramos meu aniversário de 24 anos dia de hospitalidade excessiva e muito bom!
Foto fugaz que captei pelas ruas de São Simão
No meu penúltimo dia o dia foi praticamente perdido esperando as belas damas da casa, saímos já de noite e conhecemos São Simão, uma cidade próxima. Logo de cara me encantou a arquitetura antiga da cidade, mas a passagem foi breve pois recebemos uma chuva torrencial muito forte que não nos deixou ver mais nada... Paramos esperamos ela amainar e já de noite seguimos pra Ribeirão Preto.
Coisas que me chamaram atenção dessa cidade é que ela é muito antiga, não tenho bases concretas pra sustentar a afirmação seguinte mas fiquei sabendo que ela deveria ser a 'Ribeirão Preto' da região, porém acabou não crescendo tanto por que na época varias epidemias assolaram a população... Febre Amarela... Varíola... com tantas doenças a sua população acabou se dispersando e concentrando em Ribeirão Preto. Em Ribeirão comi comida mexicana pela primeira vez na vida. Aprovadíssimo o prato, ''Burrito''.

Invadindo de novo! Bruna e quem vos escreve.
No último dia nos organizamos e fizemos trilha novamente, dessa vez bem mais leve. Com destino a uma pedreira próxima da cidade.
Saímos da cidade com o sol brilhando então como na última vez o tempo fechou, trovejou, choveu mas foi tudo muito rápido, a medida que avançávamos o tempo ia abrindo novamente. Chegamos na pedreira com o dia bonito novamente, subimos lá em cima e a visão era muito linda do entorno. A primeira foto dessa postagem de Luís Antônio foi tirada lá em cima. Voltamos tranquilos e encerramos o último dia que fiquei nessa cidade. Pela madrugada depois de uma boa comilança e conversas me despedi da Família da Bruna que me recebeu tão bem, parti de volta rumo a São Paulo. Ai está imortalizado mais um relato!










Um comentário:

  1. Muito boa história, e parabéns. Me deu muitas ideias. Eu cresci numa cidade do interior e essas imagens me fizeram lembrar de lá.

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