sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Viagem a Mendoza

Minhas férias de julho não foram lá das melhores, mas o fim delas foi bom por causa dessa viagem!
Alguns meses antes minha amiga, Débora tinha me chamado pra ir conhecer Mendoza mas eu rechacei por achar caro... Até que outra amiga minha foi e disse que era bem barato e isso me animou, eu chamei a Débora, planejamos, fizemos as contas e nos mandamos pra lá!
Dormimos na estrada a caminho.. e chegamos lá pela manhã, deixamos as malas no hostel que a Déb escolheu e dai partimos as ruas. O primeiro dia foi todo de pernadas pela cidade.
Acequia no microcentro da cidade.
Oque de cara me chamou muito a atenção foram as acequias, presentes em todas as ruas da cidade sem exceção. A cidade é completamente arborizada de cabo a rabo, árvores lindas que oferecem sombra sempre, bem verde, embora a história diga que quando os Espanhóis chegaram a aridez dominava o local, com as técnicas de rego artificial e boa distribuição de acequias distribuindo água por toda a cidade, fez com que gerasse uma umidade maior e somado a presença constante de um curso de água permitiu o desenvolvimento como um todo das árvores até o ponto atual. Mesmo sendo inverno as árvores estavam com as folhas bem secas dando uma aparência de outono. No geral me fez lembrar Córdoba só que sem a arquitetura jesuítica, mas as ruas, arvores, pessoas... Lembravam bastante.
Tratamos logo de resolver a excursão de alta montanha prevista para o dia seguinte, pois o objetivo principal da viagem era conhecer essa tal neve!
Passamos por muitas agencias de turismo caçando o preço mais baixo e conseguimos um bom desconto com a indicação de um funcionário de uma loja de aluguel de roupas de esqui, pagamos 330 pesos argentinos cada um por uma excursão de 12 horas, mais 70 pelo traje completo de roupa de neve. Bem depois descobrimos que podíamos fazer o passeio por 300 pesos apresentando um voucher de desconto que distribuem em algumas galerias da cidade... Oooh vale a pena se você leitor pensar em fazer um passeio por lá no futuro, e olha que eu chorei pra caramba por descontos! Abusei da minha frugalidade e reduzi o passeio de 400 pra 330 sendo que com o voucher não tem oque o agente de turismo reclamar estão lá os preços de vários passeios com um bom desconto!
Já programado a excursão fomos conhecer a cidade, andamos pelas ruas do centro e partimos em direção ao parque San Martin a área verde e elevada da cidade. Ao cruzarmos a cidade começou a ventania. Zonda! Mesmo assim seguimos explorando a cidade com o vendaval, como o zonda é quente até andamos pela cidade sem agasalho, o clima de inverno foi embora...
Eu modelito xD e o portão do Pq. San Martin
Além de varias coisas lindas e atrações afinal o parque é GIGANTE oque me chamou a atenção foi a história do portão do parque que é lindo por sinal.
Ele foi encomendado por um sultão turco e feito em uma serralheria escocesa, é... olhando na foto essa beleza com certeza da pra inferir que custou uma fortuna, diz a história que o sultão era muito gastão, no decorrer da sua vida ele gastou toda sua fortuna em excessos e acabou falido e pobre... Morreu e deixou pra trás belezas e dividas, muitos anos depois em um leilão a municipalidade de Mendoza arrematou o portão e hoje você pode ver essa beleza se visitar a cidade.
O parque é realmente muito lindo voltamos para o centro e continuamos nossas pernadas por ai, já ao cair da tarde o vento Zonda parecia ter dado uma pequena trégua, porem as calçadas da cidade ficaram recheadas de folhas grandes e secas das árvores, a Déb parecia sentir prazer ao cruzar as calçadas lotadas de folhas, íamos andando deslizando nossos calçados entre um mar de folhas em qualquer lugar que fosse... Comemos e fomos ajudar uma amiga chilena que estuda conosco, estava de passagem a caminho do Chile e não conseguiu cruzar a cordilheira devido ao mal tempo, uma vez que venta na cidade, lá em cima se observam fortes nevascas. Ela presa no lado argentino acabou nos fazendo companhia de pernadas até o fim do dia e ficando no hostel conosco até que se habilitasse o passo ao Chile novamente.
Já de noite eu tinha meu coração feliz e as pernas doloridas, pela oportunidade de conhecer a cidade e pelas andanças.
No outro dia já levantamos bem cedo e fomos explorar as montanhas. A Excursão começava com o ônibus vindo nos buscar no hostel e dai partindo rumo aos andes, passando por vales e montanhas cada vez mais ganhando altitude e desfrutando de lugares maravilhosos.
Foram lugares realmente muito lindos, o pisar, sentir, respirar, descobrir, desfrutar enfim o VIVER simplesmente não podem ser traduzidos em palavras hahaha.

O da img acima foi bem próximo da puente del inca já a mais de 2500mts de altitude, foi um momento muito especial, que este menino que vos escreve, nascido em um país tropical abençoado por Deus, mas, sem neve permanente rs, enfim conheceu a neve. Meu primeiro contato com neve pra valer, sem contar geada nem temperaturas bem negativas.
Fora isso a experiencia de ver o cume do aconcagua e fazer uma pequena escalada em las cuevas foram para mim muito significantes. Sobretudo a escaladinha até uma casinha de refugio no meio do monte, o pessoal subia até o meio do caminho pra esquiar de trenó e eu fui até la em cima, A Déb veio comigo mas desistiu já no começo com medo do vendaval forte, eu fui sozinho, ventava muito um frio cortante e gelado, reflexo do zonda no dia anterior e por vezes o vento vinha tão violento que levantava a neve e originava o chamado vento branco, me equilibrando todo e subindo até o pequeno e rústico refugio eu senti aquela sensação boa que os alpinistas sentem quando chegam lá em cima, mesmo que fosse uma ladeirinha de menos de 100 metros a visão era mais incrível ainda lá de cima, na descida um vento branco me pegou e foi tão forte mas tão forte que se não fosse uma rocha ali perto eu saia voando rs, ao abraçar a rocha e ficar agarrada nela por um minuto até que o vento aliviasse eu também senti algo estranho mas bom no meio de toda aquela nevasca... como que uma conexão entre mim e o ambiente, é uma coisa que quero escrever pra que toda vez que eu volte a ler esse texto volte a sentir um pouquinho da sensação boa, daquele momento.
Dali de Las Cuevas bem no limite com o Chile a mais de 3mil metros de altitude iniciamos nossa descida retornando rumo a Mendoza que estava a 200km.
Lembra que eu comentei das folhas logo acima? Ao entrarmos na cidade a guia turistica reclamou que a cidade estava suja por umas ou outras folhinhas espalhadas nas calçadas, então eu e a Déb percebemos que a cidade estava era muito limpa comparado ao dia anterior em que se via literalmente um mar de folhas, entre nós discordamos da guia e nos espantamos com a organização e efetividade da cidade, não fosse a guia falar nem repararíamos! Pouco mais de 24h depois que terminou o zonda no dia anterior
Chegamos ao anoitecer e no saldo mais uma vez pra mim foi um dia muito bom, estava feliz!
Como estávamos em uma zona rica da cidade eu e a Déb viviamos de MacDonalds no almoço (porque somos meio caipiras, onde vivemos não há Mc... então aproveitamos). E de noite comíamos um pancho gigante e bem em conta em uma lanchonete próxima do hostel.
No nosso ultimo dia demos mais uma pernada na cidade, compramos a passagem de retorno pra La Rioja, e uma excursão que ocuparia toda a tarde visitando algumas das famosas bodegas de Mendoza e passamos em algumas lojas, uma igreja charmosa... rezamos... coisa que eu nem imaginava mas me fez bem. Almoçamos e sem muita pressa voltamos ao hostel, arrumamos as coisas pois na volta já era pra partir e esperamos a excursão...
O ultimo dia eu diria que foi o dia do turismo nerd e gastronômico, porque nos explicaram tudo, como são elaboradas e fabricadas as coisas e no final degustávamos! Compreendi algumas técnicas de plantio, transplante de ramos de árvores pra troncos antigos que são mais resistentes as pragas aquáticas, proteção dos vinhedos com telas especiais pois as chuvas de granizo no verão são tão agressivas que destroem as plantações, técnicas de desnível de terreno de plantações, a questão da água que o governo só permite uma quota por fazenda e é uma burocracia tremenda pelos direitos (será que será assim no futuro em outras regiões também?).
O passeio custou 170 pesos, se limitou ao município mendocino de Maipú e incluiu uma visita a uma finca de plantações diversas, uma fabrica de azeite de oliva, uma bodega de vinhos brancos doces italianos e uma bodega de vinhos tintos tradicionais.
Eu gostei muito da mulher da finca e da moça que nos explicou na bodega italo-argentina, grudei nas duas e enchi o saco com minha curiosidade sobre tudo haha.
No fim do dia voltamos pra capital, la fomos nós comer o pancho nosso de cada noite rs e rumamos a rodoviária e ao norte rumo a nossa casa.
Na viagem que foi de 3 dias e 4 noites os gastos foram incluindo tudo até passagens
Eu - 1700 Pesos Argentinos ou US$202 (Cotação oficial, não é a blue)
Ela - 1700 Pesos Argentinos ou US$202